quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Stefhany Crossfox Missionária



Tem gente que acha bonito ser feio...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Record apoia aborto!



Que palhaçada é essa?
Agora eu posso decidir se eu mato pessoas também?

Matisyahu que??



Pegue uma base de reggae, com muito de Bob Marley e de Peter Tosh, coloque por cima algumas batidas de Racionais MCs, e da atitude hip-hop. Adicione a isso uma estranha levada dançante, descomprometida. Mais alguns solos de guitarras enlouquecidas do rock’n’roll e citações da Torà. E o resultado é Matisyahu.

Judeu hassídico do movimento Chabad Lubavitch, Matisyahu vive em White Plans, subúrbio de Nova York. Ele diz que a identificação de um judeu com o reggae não é tão incomum quanto parece, afinal os jamaicanos também sofriam com a falta de uma pátria (foram “importados” da África pelos ingleses como escravos) e um de seus líderes, como tudo indica, afirmava descender do rei judeu Salomão. Tanto que em uma entrevista recente, Matisyahu disse à revista norte-americana Rolling Stone que “em qualquer música de Bob Marley você ouve inúmeras citações poderosas da Torá”.

Seu segundo e mais recente álbum Youth é um dos mais comentados nas Américas. Publicações como Rolling Stone e Wall Street Journal têm falando dele. Suas músicas estão sendo rapidamente distribuídas por programas como iTunes e sua imagem cada vez mais reproduzida por canais pops como MTV.

Se Shake off the dust… Arise, seu primeiro álbum de 2004 vendeu perto de meio milhão de cópias, as expectativas para esse último são ainda maiores. Alguns acreditam que Matisyahu é uma boa jogada de marketing. Afinal, não é todo dia que se vê um judeu ortodoxo vestido dos pés à cabeça como tal, cantando reggae e hip-hop. Excentricidades à parte, o som que ele faz é muito bom, diz quem, entende de música. As letras são repletas de mensagens construtivas que não soam piegas. Seu reggae contemporâneo mescla referências e vertentes de todos os tipos.

Como surgiu

Matisyahu, cujo verdadeiro nome é Matthew Miller nasceu em West Chester, na Pensilvânia em 30 de junho de 1979, correspondendo no calendário judaico a 5 de Tamuz de 5740. Os pais o enviaram para uma escola judaica, porém como muitos outros garotos, resistia às horas de estudo e frequentemente perturbava as aulas, chegando até mesmo a enfrentar expulsões. Aos 14 anos, Matthew adquiriu um estilo de vida hippie. “Entrou na onda”, cultivou ’dreadlocks’ (cabelo ao estilo rastafari jamaicano) e gastou seus ’birkenstocks’ (sandálias) durante todo o inverno. Tocava bongôs na lanchonete e aprendia a fazer ‘Beatbox’ (a arte de simular com a boca os ruídos de uma caixa de ritmos, para fazer melodias, uma espécie de percussão vocal do hip-hop) no fundo da sala de aula. No 3º ano do colegial, sentindo um enorme vazio em sua vida decidiu fazer uma viagem para o Colorado. Afastado da vida suburbana nas planícies brancas, teve oportunidade de analisar e ter um olhar mais introspectivo sobre si contemplando seu ambiente. Estava ele na paisagem impressionante das Montanhas Rochosas, quando a espiritualidade o tocou. Diz que teve uma visão e era D-us.

Viajou então para Israel, espaireceu e percebeu ser um herdeiro e porta-voz da história judaica. Algumas de suas composições de hoje retratam ou se inspiram em sua conduta passada (Fire with the flame of the youth/Got the freedom to choose/You better make the right move – Youth).

Em Israel sentiu sua conexão com D-us. Matisyahu aproveitou seu tempo lá rezando, explorando, e dançando em Jerusalém. Em cada canto encontrou sua identidade judaica até então inativa em sua mente. Sair de Israel provou ser uma transição difícil. De volta às planícies brancas, Matisyahu não soube manter sua nova conexão com o judaísmo. Abatido, desanimado saiu do colégio e começou a seguir a banda Phish em um tour nacional. Na estrada, ele pensava seriamente sobre sua vida, sua música, e sua sede de judaísmo.

Depois de alguns meses retornou para casa. Por este tempo seus pais insistiram para que ele se “endireitasse” e fosse para uma escola em Oregon. A escola incentivava atividades artísticas e Matisyahu tirou vantagem disso para aprofundar-se mais na música. Estudou reggae e hip-hop. Semanalmente ele ia a um open-mic onde cantava, fazia seu beat box, e era capaz de fazer quase qualquer coisa para manter e aguçar sua criatividade. Foi aí que começou a desenvolver seu estilo reggae-hiphop.

Depois de dois anos “lutando”, aos 19 anos Matisyahu retorna a Nova York e é um homem mudado. Foi ver a Carlebach Shul, uma sinagoga no lado ocidental, bem conhecida por ser amigável à energia hippie e ao seu canto exuberante. Isto fortaleceu mais sua alma, favorecendo o poder místico da música judaica hassídica. Agora, em vez do beatbox no fundo da sala de aula, ele ia para o telhado da escola orar.

Ao estudar na nova escola, Matisyahu escreveu uma letra intitulada “Echad” (Um). A letra era sobre um menino que se encontrou com um rabino hassídico no Square Park, em Washington, e através dele se tornou religioso. Logo após ter feito a letra, a vida de Matisyahu imitou estranhamente sua arte. Ele se encontrou com o rebe de Lubavitch no parque. Iniciou-se aí sua transformação de Matthew para Matisyahu.

Ele que era cético da autoridade e de suas regras, finalmente adquiriu o estilo de vida hassídico de Lubavitch. Prosperou no estudo do judaísmo, tentando cada vez mais entender a Lei Judaica. A filosofia do ChabadLubavitch provou ser um guia poderoso para Matisyahu. Cercou-o com o diálogo espiritual e o desafio intelectual que tem procurado desde a década passada.

Hoje, Matisyahu vive em Crown Heights, dividindo seu tempo entre a música e a yeshivá (seminário religioso). Combinar os sons de Bob Marley e Shlomo Carlebach, com toda sua originalidade e interpretação é edificante, uma forte experiência para todos. Mesmo o mais pessimista em seus shows é inspirado por sua habilidade de transmitir de forma honesta sua mensagem, que fala sobre fé e espiritualidade. Sua dedicação é fazer com que sua mensagem ganhe respeito.

Muito requisitado atualmente não faz shows no shabat. “Da noite de sexta-feira até o pôr-do-sol de sábado, eu não faço shows,” diz ele. Questionado se ele recebe alguma crítica de outros judeus por ter escolhido essa carreira, Matisyahu diz: “Não muito. A mensagem do movimento Lubavitch está sendo divulgada. Devemos pegar nossos talentos e usar a música, o rádio e a TV para tentar causar um bom impacto no mundo, ao invés de nos isolarmos”.

Matthew Paul Miller, conhecido por Matisyahu, (Westchester, 30 de junho de 1979) é um cantor judeu estadunidense de reggae, que enfatiza nas suas letras os ensinos do judaísmo da linha Chabad Lubavitch.

Nascido no estado da Pensilvânia, no dia correspondente ao calendário judaico de 5 de Tamuz de 5740. Depois de crescido, os pais de Matisyahu enviaram-no para uma Escola Judaica onde estudava duas vezes na semana, porém como muitos outros rapazes da sua idade, resistiu às horas adicionais da escola e fora freqüentemente expulso por perturbações durante as aulas.

Aos catorze anos, Matthew Miller adquiriu um estilo de vida Hippie. “Entrou na onda” das pessoas “Dead-Head”, cultivou “dreadlocks” e gastou seus “birkenstocks” (sandálias) durante todo o inverno. Tocava os seus bongos no recreio e aprendia a fazer “Beat-box” no fundo da sala de aula. No 3º ano do colégio, embora estivesse numa época em que não havia nenhuma preocupação, Matisyahu não conseguia ignorar o vazio que sentia na sua vida. Depois de quase queimar a sua sala de química, sabia que a sua missão deveria começar imediatamente. Decidiu fazer uma viagem para o Colorado. Afastado da sua vida suburbana nas planícies brancas, Matisyahu teve a oportunidade de analisar e ter um olhar mais introspectivo sobre si contemplando o ambiente em seu redor. Estava ele na paisagem impressionante da “Rocky Mountain”, quando teve uma visão: Era G-d (D-us).

Após sua viagem para o Colorado, a sua curiosidade espiritual aumentou e Matisyahu fez sua primeira viagem a Israel. Lá, pela primeira vez na sua vida, sentiu uma conexão ao G-d que viu em Colorado. Israel era um ponto de giro principal. Matisyahu aproveitou o tempo que gastou lá, rezando, explorando, e dançando em Jerusalém. Em cada canto encontrou a sua identidade judaica até então inativa em sua mente. Sair de Israel provou ser uma transição difícil. De volta as planícies brancas, Matisyahu não soube manter sua nova conexão com o judaísmo. Abatido, desanimado saiu do colégio e começou a seguir a banda Phish numa tour nacional. Na estrada, Matisyahu pensou seriamente sobre a sua vida, a sua música, e a sua sede pelo judaísmo.

Após alguns meses ele retornou a casa. Por este tempo seus pais insistiram para que ele se “endireitasse” e fosse para uma escola numa região selvagem de Bend em Oregon. A escola incentivava os exercícios artísticos e Matisyahu tirou vantagem deste momento para aprofundar-se mais na sua música. Estudou reggae e hip-hop. Semanalmente ele ia a um open-mic onde cantava, fazia seu beat-box, e era capaz de fazer quase qualquer coisa para manter e aguçar a sua criatividade. Foi aí que começou a desenvolver o seu estilo reggae-hip-hop. Depois de dois anos “lutando”, aos dezenove anos Matisyahu volta para Nova York um homem mudado. Mudou-se para a cidade para continuar afiando seu estudo musical, e também começou a interessar-se pelo teatro. Durante este tempo, foi ver o Carlebach Shul, uma sinagoga no lado ocidental, bem conhecida por ser amigável à energia hippie e ao seu canto exuberante. Isto fortaleceu mais sua alma, favorecendo o poder místico da música judaica hassídica. Agora, em vez do beat-box no fundo da sala de aula, ele ia para o telhado da escola orar. (Sendo religioso ou não, ele não nasceu para ficar nas salas de aula).

Ao estudar na nova escola, Matisyahu escreveu uma letra intitulada “Echad” (One). A letra era sobre um menino que se encontrou com um rabino hassídico no Square Park em Washington e através dele se tornou religioso. Logo após ter feito a letra, a vida de Matisyahu imitou estranhamente a sua arte. Encontrou-se com o rabino Lubavitch no parque, iniciou-se aí sua transformação de Matthew para Matisyahu. Ele que já foi céptico da autoridade e das suas regras, começou então a explorar e finalmente adquirir o estilo de vida do hassídico Lubavitch. Prosperou na disciplina e na estrutura do judaísmo, tentando cada vez mais entender a Lei Judaica. A filosofia de Chabad-Lubavitch provou ser um guia poderoso para Matisyahu. Cercou-o com o diálogo espiritual e o desafio intelectual que tem procurado desde a década passada. O distúrbio e a frustração da sua busca precipitada, e agora, 2 anos mais tarde, Matisyahu vive em Crown Heights, dividindo seu tempo entre os palcos e a yeshivá, centro de estudos religiosos.

Combinar os sons de Bob Marley e Shlomo Carlebach, com toda sua originalidade e interpretação é edificante, uma forte experiência para todos. Mesmo o mais pessimista nos seus concertos é inspirado pela sua habilidade de transmitir de forma honesta a sua mensagem, que fala sobre fé e espiritualidade. A sua dedicação é fazer com que sua mensagem ganhe respeito. É naquele momento efêmero quando nosso ceticismo derrete e as nossas almas se elevam que Matisyahu entra com seu crescente som da fé.

Fonte: torahviva / wiki

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A ERA DO TÔ ME ACHANDO



Por que necessitamos cada vez mais da aprovação, do amor, da admiração e (até) da inveja dos outros? Entenda como funcionam os mecanismos da vaidade – e saiba como se imunizar para não ficar se achando a última bolacha do pacote.

Por Ronaldo Bressane


“Bacana teus óculos”, falei. Leves, classudos, num tom esportivamente escuro, cada lente com uma sombra que subia de baixo para cima, tornavam misteriosos o olhar do amigo, um jovem editor. Comentei que nunca o tinha visto de óculos. Ele devolveu: “pois é, mas eu estava com a vista cada vez mais cansada, até que fui ao oculista e ele me disse que precisava usar. Dois graus de miopia. Excesso de leitura. Fazer o quê...”, compungiu-se, o olhar vago, empurrando o par de lentes nariz acima com um charme intelectualmente sofrido. Mês depois, encontrei uma amiga cujo pai é oftalmologista. Entre anedota e outra, ela me contou que um curioso cliente do pai havia pedido um modelo de óculos sem grau. É, era ele mesmo – o editor.

Vivemos tempos curiosos. A cada segundo, e através de todos os meios possíveis, somos expostos aos corpos mais perfeitos, às biografias mais irretocáveis, à pose generalizada de famosos e anônimos. Vaidade pura. Mas um momento: você já experimentou sair por aí todo mulambento, comparecer despenteado a uma entrevista de emprego, esconder de parentes e amigos aquele êxito nos estudos? Impossível, não? Porque, hoje, não ter vaidade – não ter o hábito de apregoar aos quatro cantos, reais ou virtuais, o quanto você pode ser atraente, sensacional e único – parece ser um dos maiores pecados da nossa era, esse tempo em que todo mundo parece estar “se achando”.

Por isso, os óculos de araque do meu amigo. No meio altamente intelectualizado em que ele vive, circulando entre Festas Literários de Paraty e debates seguidos de sessões de autógrafo nas livrarias mais chiques do eixo Rio-São Paulo, ostentar uma armação bacanuda é o equivalente, em termos culturais, às pernas muito bem torneadas – horas de academia – da mocinha da novela das 8. Ou seja: tudo vaidade.

Vício letal?

Parece fácil, mas vaidade, como parâmetro norteador desta época, é algo bastante volátil para definir. Vai longe o tempo em que ser vaidoso bastava para condenar um cidadão, ou editor, ao inferno. No início da cristandade, a vaidade, sob a alcunha de vanglorio, foi pecado capital; por volta de 1500, integrou a lista na forma de orgulho ou soberba; ainda é a mais diabólica contravenção para os cristãos ortodoxos; segue relacionada à Prostituta da Babilônia no Apocalipse. Foi o que conduziu Lúcifer, mais belo dos anjos, do lado direito do Senhor aos portões do inferno, por rejeitar a imagem de Deus em benefício da própria. Vanitas vanitatum, ominia vanitatum, diz o Qohélet (Eclesiastes), sobre o sentido da vida – a tradução corrente é “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”, porém o poeta e tradutor Haroldo de Campos preferiu cercar a expressão “vacuidade” do hebraico ao termo “ilusão”. E, quando iniciamos o passeio pelo significado da palavra, este se adensa, ao mesmo tempo que esfumaça... Bem, estamos falando de aparências.

Pelo Dicionário Analógico da Língua Portuguesa de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo, inexplicavelmente esgotado desde 1984, “vaidade” tem 71 substantivos afins, incluindo “ânsia incontida de despertar admiração”, “parlapatonice”, “exibicionismo”, “pretensão”, “megalomania”, “egoísmo”, “inchaço” e, claro, “narcisismos”. (Um dicionário analógico não traz sinônimos, e sim conceitos dispersos pelo campo semântico das palavras; este do lendário Santos Azevedo, mestre de Sérgio Buarque de Holanda, estrutura-se em exatos mil verbetes, começando em “existência” e terminando em “templo”; “vaidade” está entre “ostentação” e “orgulho”.)

Meu sinônimo favorito, o que ajuda a iluminar nosso tempo, é “inchaço”. Até por causa da característica física da palavra – como se o vaidoso estivesse “cheio de si”. Mas que seria concretamente esse “si”? O ser ou o nada? Batom, botox ou fotos bacanas no Facebook? Sapatos Gucci, um iPod novo ou um belo currículo na Casa do Saber? O cabelo do Justus, a peruca da Dilma, os pneus do Ronaldo Fenômeno, o bigodão do José Sarney, o retrato de Doriam Gray? A obsessão pela juventude dos sessentões vampirescos atrás de menininhas, a susanavieirização do mulherio? A vaidade sempre seria ruim, ou poderia ser um componente positivo da competitividade, um estímulo caprichoso à autoafirmação? Ou seria mesmo um vício – e um vício letal, matando tanto anônimos que tentam ficar lindos na mesa da lipoaspiração quanto os Michael Jacksons que lutam pela glória através de remédios contra a dor de horas de torturantes exercícios físicos?

Narcisismo epidêmico

Óbvio que, na sua ampla e incansável psiquiatrização do cotidiano, os norte-americanos já tratam a vaidade como patologia. Autora de Generation Me (»Geração Eu», sem edição brasileira), a psicóloga Jean Twenge crê que a autoconfiante geração nascida em 1980 - que passa horas lambendo as migalhas da própria existência entre o Facebook e o Myspace - é muito mais narcisista que as gerações anteriores.

Twenge trabalhou com o colega W. Keith Campbell no recém-lançado best-seller a analisar os miolos moles dos ianques: The Narcissism Epidemic (“O narcisismo epidêmico”, ainda sem edição brasileira). Para a dupla, a coisa ficou preta e o espelho trincou – e o resultado, ora vejam, é o bode expiatório da vez, a malfadada crise econômica.

Parece meio infame, tanto quanto o transtorno obsessivo narcisista. Mas faz sentido – sobretudo para a alma norte-americana, sempre tão disposta a diagnosticar-se e tratar-se e partir para o próximo transtorno como se não houvesse amanhã, caso a doença mexa no bolso. Em entrevista à revista de educação US World Report, Campbell afirma ter comparado as pesquisas com jovens entre narcisistas e obesos: “Os resultados forma bem semelhantes”, diz. Numa amostragem de 35 mil jovens, a dupla de psicólogos descobriu que 6% sofriam de transtorno obsessivo narcisista. Contudo, somente 3% das pessoas acima de 65 anos tinham esse transtorno. “Um dado a comprovar que estamos em uma epidemia fora de controle”, afirma o psicólogo.

Ele enumera quatro causas: a educação dos pais, a cultura de celebridades, a mídia e o crédito barato. “Muitos pais tratam seus filhos como reis”, diz. “Reality shows são altamente narcisistas, e supõe-se que sejam a vida real; neles, subentende-se que o narcisismo é algo normal”. Campbell é especialmente duro com a rede. “As pessoas nunca falam que lêem Guerra e Paz, de Leon Tolstoi, no Myspace. Em vez disso, colocam fotos sensuais, a coleção de amigos, as músicas legais. Para piorar, crédito barato faz com que os jovens gastem para se pareceram melhores do que são. Têm coisas que não fizeram força nenhuma para ganhar.” Claro que esse argumento financeiro tem muito a ver com a realidade americana, onde bolhas econômicas costumam ser uma rotina – mas, afinal, o mundo está cada vez mais parecido com os Estados Unidos.

Vaidosos Anônimos

Provavelmente, a valorização do discurso da autestima e a febre da autoajuda são culpadas dessa apoteose ao me-achismo. Porém, como depois da tempestade sempre vem a ambulância, conforme deduziria o pensador Vicente Matheus, imagino que daqui a alguns anos a loucura narcísica dará valor a autocasca-de-banana, ao autofail: aprenderemos a puxar em público nosso próprio tapete. Como bem faz esse grande vaidoso que é Woody Allen (vai dizer que deixar de ir receber um Oscar porque a data caía no mesmo dia em que ele toca com sua banda de jazz em um clubinho de Nova Iorque não é o extremo da vaidade?). Esse culto desenfreado ao amor-próprio ainda vai produzir coisas estranhas... Em breve, abrirão inscrições para o Vaidosos Anônimos. Pode escrever.

Por enquanto, vamos vivendo a grande época da vaidade. A imodéstia saiu do armário e está toda serelepe: não à toa a burca foi proibida na França pelo presidente Sarkozy (cuja soberba se estende dos saltos dos sapatos que o elevam à não menos digna de vaidade primeira-dama Carla Bruni). Mas... não seria também a burca , ao esconder a figura feminina (ou os filhos do finado Michael Jackson), sinal de extrema vaidade? Não é cinismo: segundo o Islã, o véu torna as mulheres atraentes porque sutilmente apela à sua vaidade. Não importa quão feia ou velha seja a muçulmana: qualquer homem fica louco à lera visão de seus cabelos descobertos. Assim, sob seu modesto esconderijo, uma muçulmana é a mais desejável das criaturas. Já as pobres ocidentais, agindo livres, encontram-se com homens em situações prosaicas, acabam, pela rotina, se tornando sem graça. A não ser que sejam jovens e belas, cairão fatalmente sob o olhar indiferente dos pares – deixarão de ser tratadas como objeto de mistério para virarem meros objetos sexuais. O que me faz pensar na pretensa vaidade de sujeitos como os escritores americanos Thomas Pynchon e JD Salinger, e os brasileiríssimos Rubem Fonseca e Dalto Trevisam, reclusos assumidos. Fogem de entrevistas e retratos como Madonna das trevas do anonimato. Paradoxo de hoje: o véu que os cobre não os tornará bem mais valorizados?

Na outra ponta do estudo do narcisismo, o filósofo francês Gilles Lipovestsky faz uma abordagem ao mesmo tempo eufórica e catastrófica – espelho fiel do espírito da época, a que ele nomeia de forma eloqüente, ao gosto dos franceses, como A Era do Vazio. O próprio texto de Lipovestsky é hiperbólico, afeito aos paradoxos, extremamente vaidoso, cioso de si. Mas delicioso, e crivado de teses brilhantes. Em O Império do Efêmero, Lipovestsky faz uma leitura bastante original da cultura contemporânea através da importância cada vez mais crescente da moda. Muito gaulesmente, diz que a moda – especialmente a florescida em Paris – condensa na idéia de individualidade os ideais da Revolução: liberdade, igualdade e fraternidade.

Solidão em massa

“A promoção das frivolidades só pôde se efetuar porque novas normas se impuseram, desqualificando o culto heróico de essência feudal e a moral cristã tradicional, que considera as frivolidades como signos do pecado do orgulho”, afirma Lipovestsky. “Da idéia de altivez relativa à dignificação das coisas terrestres saiu o culto moderno da moda, uma das manifestações (...) da humanização do sublime.” O filósofo não separa a moda – e, assim, o fascínio pelo Novo – da ideologia individualista, do culto ao bem-estar, aos gozos materiais, ao desejo de liberdade, à vontade de enfraquecer a autoridade e as coações morais, ao triunfo da ideologia do prazer.

No entanto, Lipovestsky lembra que a busca dos valores individuais traz um fenômeno ainda mais estranho que o estudado pelos senhores psicólogos acima: a “solidão em massa” refletida no número cada vez maior de suicídios. “A era da moda consumada é inseparável da fratura na comunidade e do déficit de comunicação: as pessoas se queixam de não serem compreendidas ou ouvidas, de não saberem se exprimir” – uma festa de autistas que lembra um pouco uma rave impulsionada por ecstasy, ou uma sessão furibunda de Twitter movida a banda larga.

O pensador francês sugere que vivemos um segundo momento da Era do Vazio, em que “a busca da riqueza não tem nenhum objetivo senão excitar admiração ou inveja”. Nesse mundo ultracompetitivo, o Outro só faz sentido se viabilizar o sucesso do Eu. No igualmente sombrio e triunfante A Era do Vazio, Lipovestsky aproxima os conceitos de vacuidade e vaidade, vazio e Narciso: “Que outra imagem é melhor para significar a emergência de individualismo na sensibilidade psicológica, centrada sobre a realização emocional de si mesma, ávida de juventude, de esportes, de ritmo? (...) O neonarcisismo é psicologia pop: a expressão sem retoques, a prioridade do ato de comunicação, a indiferença em relação aos conteúdos, a assimilação lúdica do sentido, a comunicação sem finalidade e sem público, o remetente transformado em seu principal destinatário”.

Em uma imagem que resuma tudo: o meu elegante amigo observando-me superior por trás das lentes falsas, feliz da vida por enganar a si mesmo.

Retirado de Vida Simples, outubro 2009. Edição 84.

Você precisa estar no centro das atenções (médicas) se...

- Possui senso grandioso de autoimportância (espera ser reconhecido como superior sem que tenha feito ações à altura)

- Preocupa-se com fantasias de sucesso, poder, brilho, beleza ou amor ideal ilimitados

- Acredita que é “especial” e que só pode ser compreendido por outras pessoas especiais ou de status elevado

- Precisa de admiração excessiva

- Sente-se em posição de possuir direitos, ou seja, tem expectativas além do razoável de receber tratamento favorável ou de aceitação automática das suas expectativas

- Não demonstra empatia, não tem disposição para reconhecer os sentimentos e as necessidades alheias ou identificar-se com isso

- Muitas vezes inveja os demais ou acredita que os outros o invejam

- Demonstra comportamentos ou atitudes arrogantes e insolentes

- Leu este teste observando-se no espelho (brincadeira...)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Vergonha de ser brasileiro



O aspecto único do Holocausto, que o diferencia de horrores comparáveis como a escravidão, é que o extermínio do riquíssimo judaísmo europeu, berço de Einsteins, Kafkas e Freuds, foi executado pelo país mais culto da Europa pelo simples fato de os judeus serem judeus.

Eles não eram inimigos do Estado, não tinham exércitos, suas mortes não serviriam (prioritariamente) para o avanço econômico de seus perseguidores. Eram apenas de uma cultura/religião diferente e foram usados pela megalomania germano-hitlerista como a antítese do super-homem ariano, a ser eliminada do tecido alemão.

O sobrevivente do campo de extermínio de Auschwitz e prêmio Nobel da Paz Elie Wiesel, ao voltar à sua aldeia natal na Romênia, disse que a vida por lá continuava exatamente igual desde que deixara o lugar com a família, 40 anos antes, rumo à morte. A única diferença é que não havia mais judeus.

Quase 9 milhões de judeus viviam nos países europeus direta ou indiretamente sob controle alemão. Os nazistas conseguiram matar cerca de 6 milhões. Se os judeus não lembrarem seu Holocausto, ele certamente será esquecido.

Por isso embrulha o estômago ver o presidente Lula abraçar o presidente Mahmoud Ahmadinejad em Nova York poucos dias depois de o iraniano declarar que "o Holocausto é uma mentira".

O insulto de Ahmadinejad foi ainda mais doloroso por ocorrer às vésperas do Rosh Ashaná, o Ano Novo judaico, período de reflexão. Os grandes países ocidentais o deploraram. O Brasil se calou.

E logo depois ainda prestigiou o semi-pária num encontro de mais de uma hora na ONU, durante a Assembleia Geral da organização, para o mundo todo ver.

Lula e o Brasil estão no auge de sua projeção de poder. Estamos mudando de liga no jogo das nações. E nossa Chancelaria vende barato nosso cada vez mais importante apoio. O que o Irã dá em troca ao Brasil?

Antes de receber Ahmadinejad na cidade com a maior população judaica do mundo, Lula já havia sido o primeiro a apoiá-lo logo após a contestada eleição do iraniano. E ainda fez uma muito infeliz comparação dos conflitos entre oposicionistas e milícias armadas iranianas a uma rixa entre vascaínos e flamenguistas.

Tal rixa deixou dezenas de mortos e enfraqueceu um regime teocrático entre os mais repressores do mundo. Mas o Brasil de Lula foi o primeiro a estender sua mão para fortalecer o regime repressor de Teerã. E ainda receberá Ahmadinejad em visita em novembro.

O presidente brasileiro, genuinamente humanista, parece ter sido enrolado pelo anacrônico terceiro-mundismo que domina seus assessores e o Itamaraty. Ao ser questionado em Nova York sobre o negacionismo hediondo de Ahmadinejad em relação ao Holocausto, Lula respondeu:
"Isso não prejudica a relação do Estado brasileiro com o Irã porque isso não é um clube de amigos. Isso é uma relação do Estado brasileiro com o Estado iraniano."

A frase faria sentido se essa relação trouxesse benefícios ao Estado brasileiro proporcionais aos gestos de Lula. Mas ela só engrossa a lista de equívocos de sua diplomacia.

Já seria duro ver o Brasil tolerar a intolerância por recompensas mundanas. Tolerá-la por nada dá vergonha!

(*) Sérgio Malbergier, 42, é editor de Dinheiro da Folha. Foi editor de Mundo, correspondente em Londres e enviado especial a países como Iraque, Israel e Venezuela. Formado em cinema, pela ECA-USP, dirigiu dois curta-metragens: "A Árvore" e "Carô no Inferno"

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Seja intolerante


A intolerância religiosa tem de ser tão antiga quanto a própria ideia de religião, mas é duvidoso mérito dos cristãos (e a partir de agora uso a palavra na pior acepção do termo, e também a única) ter refinado o conceito associando a alternativa à escravidão, à tortura e à morte em larga escala. O cristianismo foi a primeira religião da história a ganhar verdadeiro peso cultural por meio da conversão ao contrário das pacíficas religiões anteriores, das quais restam algumas, e que preferiam apostar a eventual consagração no milenar e lentíssimo método de transmissão e reelaboração de pai para filho.

O cristianismo histórico foi, desde o início, exatamente como nos nossos dias, empreendimento de curto prazo, indústria de resultados. Jesus passou de ilustre desconhecido a único Deus do vertiginoso Império Romano em meros 300 anos menos que um piscar de olhos em termos históricos. Não é de estranhar que pelo menos metade dessa conversão nominal do mundo tenha sido adquirida na ponta da espada. A fim de salvar os incréus era necessário não tolerar a sacrílega religião deles: os cristãos entenderam o imediatismo do “Ide” e saíram pelo mundo fazendo inimigos, ostracizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Essa dupla paixão pelos resultados e paixão pela publicidade deixam claro que o cristianismo histórico não é o menos eloquente antecessor do convulsivo capitalismo contemporâneo.

Essa implacável visão de mundo, da expansão númerica e comercial como missão divina, determinou toda a história do ocidente, incluindo a sangrenta colonização das Américas. Em 1454, o Papa Nicolau V resume essa postura geral na sua Bula romanus pontifex, em que concede ao rei Afonso de Portugal (e a seu príncipe D. Henrique, que daria forma final à nau oceânica portuguesa e assim o pontapé inicial às Grandes Navegações), uma singela série de privilégios materiais associados à
sua pureza de coração:

“(…) concedemos ao dito rei Afonso a plena e livre faculdade, entre outras, de invadir, conquistar e subjugar quaisquer sarracenos e pagãos, inimigos de Cristo, suas terras e bens, a todos reduzir à servidão e tudo aplicar em utilidade própria e dos seus descendentes (…)”

Nenhuma manifestação do cristianismo institucional dos nossos dias difere, em qualquer sentido importante, da inclinação geral do parágrafo acima. Os filhos do Rei permanecem reclamando seus direitos, absolutamente convencidos da primazia da sua condição. Os religiosos cristãos chafurdam em seus merecimentos e oram descaradamente para extrair alguma prosperidade dos inimigos de Cristo ou reduzi-los à servidão o que for mais imediato ou der mais prazer (e é naturalmente graças aos cristãos que cremos que essas duas últimas coisas andam juntas).

Por alguma razão que Cristo não teria como entender, os que se consideram cristãos são os mesmos que se consideram religiosos. E, dentro da mesma lógica ignorante dos fatos, os que não se submetem à religião são considerados inimigos de Cristo. Talvez baste para você pensar e agir assim. Mas, se você quer ser, de fato, como Cristo, é absolutamente necessário dar o primeiro e louquíssimo passo na direção de Deus e para longe da religião. Porque Jesus, como deixam abundantemente claro os Evangelhos, promovia e aplicava consistentemente uma forma muito particular de intolerância religiosa: a intolerância contra os religiosos.

Paulo Brabo / Em 6 passos o que faria Jesus / Editora Garimpo

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Israelistas e Palestinos



Conta-se a história de dois irmãos que moravam em lados separados de uma montanha. Um era abençoado com esposa e filhos, mas era pobre; o outro era abençoado com riqueza, mas não tinha família.

Eles se tornaram sócios numa fazenda, e repartiam irmãmente a produção. Como se amavam, cada um sentia o sofrimento do outro. O irmão rico pensava: "Meu irmão tem uma família grande. Precisa ganhar mais que eu, e durante a noite movia secretamente parte de sua produção para o setor pertencente ao irmão. O irmão com família pensou: "Meu irmão é tão solitário, não tem ninguém que olhe por ele. Precisa mais do que eu, e secretamente deslocava parte de sua produção para o setor do irmão.

Cada qual ficou surpreso ao ver que, não importa de quanto abrisse mão, sua produção não diminuía. Sabendo que D’us age de maneiras misteriosas, não questionavam muito. Então certa vez, já tarde da noite, deram de encontro um com o outro no alto da montanha. Ambos estavam carregando parte da produção. Caíram nos braços um do outro e choraram. Foi neste local que nasceu Jerusalem.

Quando nosso messias voltar o deles virá! e o que hoje parece um sonho, os irmãos juntos, se tornará realidade.